Seria a Filosofia uma parte da Ciência, servindo para fundamentá-la? Não seria muito dizer que a Filosofia é algo que vai além da Ciência? Como ambas se relacionam?
Para responder estas e outras perguntas, recorremos aos pensamentos de dois grandes filósofos: Willard Van Orman Quine (1908-2000), importante figura na filosofia analítica anglo-saxã e Franklin Leopoldo e Silva, professor aposentado da Universidade de São Paulo (atualmente leciona na UFSCar) e figura de grande relevo no cenário acadêmico brasileiro.
Para Quine, como é visto em sua entrevista ao programa de Bryan Magee, a Filosofia não sustentaria, de forma alguma, a Ciência, sendo que ela mesmo é muito mais "sólida" que a própria Filosofia e que é apenas uma parte da Ciência; no entanto a Filosofia se diferencia por sua generalidade e pelo grau de abstração necessário para ser desenvolvida.
A entrevista em questão pode ser vista na íntegra no YouTube. Esta é a primeira parte, que trata das questões que nós levantamos.
Já para Franklin Leopoldo e Silva, a situação se desenvolve de maneira diferente, como pudemos perceber ao entrevistá-lo em sua sala, no Departamento de Filosofia e Metodologia da Ciência da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).
(imagem retirada do endereço: http://quadro-magico.blogspot.com)
Ele nos disse que a Filosofia poderia ser sim, definida como ciência, mas somente até o século XVII, quando ainda não havia de fato nada que as separasse, já que a Filosofia era considerada a totalidade do saber.
Depois, com as especializações dos ramos deste "saber" (as engenharias, biologia, etc) tornou-se problemático dizer que a Filosofia abarcaria tudo, como um saber total.
Para o professor Franklin, é mais adequado chamar a filosofia de um "saber", entendido como uma interrogação acerca dos sentimentos que a realidade possa oferecer. E uma visão da Filosofia entre Ciências seria impossível, visto que deste modo estaríamos a limitar o alcance dela.
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